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Adeus a Niemeyer

6 dez

Traços simples, linhas curvas, uma beleza em concreto que muitas vezes desafiavam as leis da física. Oscar Niemeyer gostava do diferente, criou o próprio estilo, fez história: gênio.

Sempre admirei sua obra com aquele orgulho de ser brasileira como ele. Mas o que admiro muito mais é o homem. Criativo incansável, não parava. E, assim como gostava de desafiar a física, desafiava a biologia. Passado dos cem anos continuava tão lúcido e ativo, com a mente e a mão dando vida às suas linhas sinuosas.

Simples e belo. Queria eu, grande Niemeyer, que essas linhas tortas tivessem um pouco disso, para que essas palavras pudessem soar como uma singela homenagem.

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Sobre padres, promoção e almoço de domingo

22 nov

No rádio do ônibus, ouço o locutor anunciar a promoção: “Ganhe ingressos, vá ao camarim tirar fotos e pegar autógrafo do … padre” (?!?). Nem me perguntem o nome dele, não lembro e é o que menos importa agora. Na minha mente ecoava um “COMO ASSIM? COMO ASSIM???”. Quer dizer que o padre – aquele ser que deveria ser um líder espiritual e acessível à comunidade – é prêmio de promoção de rádio? Camarim, foto, autógrafo?…

No almoço em família no domingo, comentei sobre o meu espanto com tal promoção. Minha concunhada então me falou: “Ah, você precisa ver a foto da capa do CD do padre…” (esse já é outro, mas o nome mais uma vez foi deletado da minha mente) e ela completa a frase imitando a pose.

– Sexy?, indago.

– Sim, minha filha, todo metido a sexy. Acredita?

As outras continuam o papo falando sobre o assédio da mulherada no show do padre… (já é um terceiro, mas sabem, né?). E, finalmente, o assunto se encerra com o comentário:

– Todo mundo acha o padre (…) liiiiiindo. Eu nem acho!

Como não conheço o dito cujo…

– Gostosa essa farofa, hein?

A magia das roupas

13 set

A roupa tem propriedades mágicas, transporta o seu dono para uma fantasia, imprime um estilo, impõe uma atitude, eleva a estima, dá confiança – ou até tira, caso a gente perceba que ela está inadequada para a ocasião.

O vestido de princesa tão amado pelas meninas é felicidade plena! Quem nunca ouviu a história de uma pequenina que não queria tirar sua roupa encatada nem para dormir? E os meninos também embarcam na fantasia. Meu sobrinho de três anos cismou que queria uma roupa de príncipe ao ver uma amiga da escola ganhar da mãe o “vestido de princesa mais lindo que já vi na vida”, de acordo com minha irmã, que contou que foi encontrá-lo no banheiro completamente hipnotizado acompanhando a transformação da menina em princesa.

No cimema, o figurino transforma o ator em personagem, ajudando a dar vida ao que seria um papel, comunicando características, determinando uma postura, um andar. Suporte para muitos atores alcançar a personalidade de seus personagens, a roupa vira uma nova pele.

A gente cresce mas a crença na magia das roupas permanece. Acreditamos no poder da roupa-talismã nos momentos em que precisamos de sorte. Brilhamos os olhos com um vestido lindo na vitrine, paqueramos e nos sentimos realizadas quando conseguimos realizar o “namoro”. E que sabor gostoso que tem chegar em casa depois de um dia de compras, abrir as sacolas e conferir as novas aquisições!

Não somos atores mas gostamos de vestir novos personagens. Um estilo diferente a cada dia. Uma inspiração em outra época, na foto da revista ou na protagonista da novela. A sexy da balada, a profissional competente, a mãe passeando com os filhos, a atleta, são vários os papéis que encaramos no dia-a-dia em seus distintos figurinos.

Para alguns, o encanto pode estar numa marca, num estilo, numa peça, num acessório ou até numa cor.  A magia de colocar uma roupa especial, olhar no espelho e sentir o poder que ela tem e que às vezes até nos faz sentir de novo como uma princesa. A moda sabe bem do poder mágico das roupas e adora mexer com nossos desejos.

Foto: Tim Walker

Sem comentários

6 set

Nem sempre a gente se veste para se sentir linda, sexy, estilosa ou qualquer coisa que valha um elogio. Às vezes, a única coisa que importa é o conforto, a roupa-casulo que faz com que a gente nem ligue para a ausência estética do pano que nos acolhe.

Se a vida não é feita só de alegrias, com o ato de se vestir não seria diferente, ele é feito de altos e baixos. E, quer saber, quem anda impecável sempre (além de blogueira de look do dia)? Tira até o brilho das produções especiais, transforma em ordinário o que poderia ser extraordinário.

Mulambo eu, mulambo tu, cantava o antenado Chico Science. Então, se esbarrar comigo num desses dias, por favor, sem comentários. Amanhã eu saio do casulo e você pode elogiar a linda borboleta.

Foto: Desing for Mankind

Não tenho roupa

30 ago

Estou revirando o guarda-roupa há algum tempo e não acho nada pra vestir. Não, não me falta roupa, obviamente. Mas, você sabe, tem dias que nada parece adequado, nada agrada, nada combina.

Já revirei quase tudo, as roupas estão numa pilha amorfa na cama. Põe, tira, tenta com outra saia, vamos por uma cor. Nada. Um vazio, uma insatisfação. A bagunça que se forma sem chegar a um acordo com o espelho.

Ah, mas se eu tivesse aquela saia! Aquela blusa que provei semana passada e não comprei, sabe? Seria perfeita. O sapatinho que vi ontem na internet: é o que falta pra arrematar o look.

A auto-sabotagem sempre nos leva a pensar naquela peça perfeita que não temos. O guarda-roupa incompleto, roupas que parecem não fazer sentido ou não dizer o que queremos. A roupa que te traduziu tão bem há pouco tempo já não representa o seu ser.

E cá estou eu, tentando a última pilha de blusas, um par para o velho jeans que ainda parece confortável ao corpo. A bagunça está feita, olho ao redor com desesperança e solto a clássica frase: não tenho roupa.

E como quem não acha as palavras e se mantém calado, decido não sair de casa hoje.

Foto: daqui

 

 

 

Fabricado no Brasil

23 ago

O Brasil é um país de contradições. Frase antiga, sabe-se lá de quem é a autoria (você sabe???), mas cheia de grandes verdades que não escapam ao mundinho da Moda Brasil.

Estilistas e empresário do setor reclamam, com razão, da falta de incentivo do governo, dos altos impostos e da concorrência desleal com produtos vindos da China e outros países asiáticos que conseguem um preço final baixíssimo devido à qualidade questionável de seus produtos e das condições de trabalho muitas vezes deplorável de seus trabalhadores. Mas o que o próprio setor está fazendo em relação a isso?

A discussão sobre “Moda Brasil”, “DNA brasileiro” ou qualquer outro nome que se queira dar a essa tal identidade que parece difícil de se enxergar perde grande valor quando quem está lá no topo, os criadores da nossa moda, deixam escapar a oportunidade de levantar nossa própria bandeira. Não quero me referir aqui a uma inspiração literal em nossa cultura, essa discussão já rendeu muito pano pra manga sem nem ao menos arrematar uma mera camiseta com tudo isso. A questão aqui é de levantar a bandeira do “Fabricado no Brasil”, um orgulho do produto nacional.

Nós brasileiros somos um povo orgulhoso de nossa nacionalidade – “Orgulho de ser brasileiro” – e parece que o setor têxtil não enxerga nisso uma oportunidade de se fortalecer. Pode parecer um passo pequeno, mas já seria um primeiro passo para quem reclama mas parece não se mobilizar.

Na Austrália, país onde passei meus últimos dois anos, de cada dez peças de roupa, nove são Made in China (estimativa não oficial, ok?, mas uma observação de consumidora que checa etiqueta). E o que acontece com os produtos fabricados no país? Exibem isso em suas etiquetas junto da palavra “orgulho”. O preço final é bem menos competitivo, óbvio, mas o consumidor, cada vez mais consciente, valoriza a indústria nacional e paga pelo preço.

Não precisam atirar pedras, sei muito bem que a realidade australiana passa bem longe da brasileira. Mas a questão do consumo consciente é uma “tendência” sem volta, que vem conquistando mais consumidores a cada dia. E a indústria da moda brasileira parece não querer segui-la.

 

 

 

De São Paulo e outros caos

16 ago

Minha cabeça está meio assim: São Paulo. Um caos, ansiedade, correria freada em engarrafamento que nos permite olhar ao redor. Passado, presente e futuro bailam em minha volta dando sorrisos marotos para em seguida mostrar as costas.

Confusão mental, diversidade humana que surpreendentemente parece convergir para o mesmo fim, como me mostram os colegas na sala de aula.

Num dia encontro um conhecido na Paulista. No outro, uma amiga na feira. Assim, por pura coincidência em apenas dois dias na Paulicéia que teima em ser desvairada.

Futuro e felicidade regem os pensamentos mas com os pés fincados no presente, na realidade, no porto-seguro que se espera que lhe espere.

Desculpem, leitores, mas minha cabeça está como um guarda-roupa bagunçado que nos impede de achar a roupa planejada, mas traz à tona o brilho de um paetê esquecido.

Foto: Pinterest Four-Eyed Baillerina

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