A arrumação do guarda-roupa

2 ago

O ato de arrumar o guarda-roupa é mais do que uma mera exigência organizacional. É, para mim, como folhear um álbum de fotografia (coisa rara, aliás, nessa nossa era digital), quando lembranças e emoções são evocadas.

Só a forma de arrumar em si já é uma dessas lembranças. Herança da época em que trabalhava em loja, gosto de empilhar as blusas em degradê, ou “ordem alfabética das cores”, como nomeou certa vez uma amiga.

A calça que resiste há anos, ora folgada, ora apertada. A saia que era linda na vitrine e que até hoje não consegui achar o mesmo no meu corpo. Aquela blusa que voltou ao guarda-roupa depois de uma temporada no armário da irmã. E a outra que já não traduz mais quem eu sou e pede pra sair. Tem também o vestido que da única vez que foi usado voltou tão cheio de lembranças ficando impossível usá-lo uma segunda vez. A calça jeans que em duas tesouradas será transformada em short.

A crise de espirro é a mensagem subliminar de algumas roupas dizendo que merecem ser mais usadas. Uma manchinha ali, um desfiado acolá, cada qual com uma pequena história gravada em tecidos.

Ao terminar a arrumação, além da satisfação de ver tudo organizado, fica a certeza de que o que mais nos apega a certas roupas, definitivamente, não é um mero pedaço de pano, mas todas as lembranças que elas carregam.

Foto: Pinterest Rebecca Cornelius  

 

 

 

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