José Gayegos, a mosca na sopa das modas

25 jul

É a primeira vez que faço uma entrevista aqui no blog e é com muito orgulho que essa estreia seja com José Gayegos. Profissional da moda e grande referência do assunto no país, Gayegos tem um extenso currículo que vai da criação passando pela área educacional e pelo jornalismo de moda. De estilo provocador, não tem papas na língua ao criticar coleções e comportamento de profissionais da área. E se antes a gente tinha nossa dose diária de suas opiniões no Twitter, a espera semanal da coluna Rendas e Babados no site Chic e o seu quadro na All TV, agora  – para a nossa alegria! – Gayegos lançou o seu blog, onde pretende contar muita história da moda e provocar também, é claro!

José Gayegos

Vc não quer uma entrevista, quer um livro!”, soltou Gayegos em meio às respostas desta entrevista feita por email. Sim, Gayegos, adoraria ouvir muito mais da sua experiência e seria ótimo se todos interessados em moda pudessem também! Muito obrigada por sua participação aqui! Agora chega de papo e vamos à entrevista.

Fashion Again: No seu perfil do Twitter, você se descreve como “a mosca que cai na sopa das modas”, por quê?

José Gayegos: PQ sou o único que incomoda a panelinha. Sou provocador. É preciso que haja gente com coragem pra dizer certas coisas. Senão vira monotonia. Rua de uma só mão.

Às vezes percebo certo ressentimento da sua parte com o “povo das modas”. Existe mesmo isso? E por qual razão?

Eu me divirto. Ressentimento! Do que? De quem? Mesmo os “desafetos”  respeitam meus conhecimentos, meu repertório. Apenas ironizo sobre pessoas que “se acham”  e se levam muito a sério. A maioria  tem conhecimentos para vendedor nas Casas Bahia, não para teorizar sobre moda, assunto sobre o qual não tem a mínima noção. Apenas pensam que tem.

Qual o grande problema hoje da moda brasileira? E o que há de positivo nela?

Moda brasileira, fora a praia, não existe. É invenção pra enganar incautos. Nosso grande problema na área é a má qualidade.

Como você enxerga o jornalismo de moda no país?

Interesseiro e ignorante. Defendendo feudos e panelinhas. Como alguém pode escrever que fulano tem ” corte impecável” sem ter o menor conhecimento sobre o assunto? Mas, honestamente? Não difere muito de certas editorias inernacionais.

Você estreou recentemente o seu blog de moda. Como está sendo a experiência de ser blogueiro?

A mesma de um pássaro que tenha escapado do cativeiro. Ainda sem saber bem meus limites.

A blogosfera de moda brasileira vive um momento de grandes críticas com relação à qualidade de conteúdo e aos posts pagos disfarçados de dicas. Qual a sua opinião sobre toda essa polêmica envolvendo os blogs de moda?

Defendo o direito de todos se expressarem como queiram e defendo, mais ainda,  o direito de crítica à essas expressões. Não sendo ofensivo ou mentiroso, tudo bem, mas revidar é preciso.

Estilista, modelista, figurinista, professor, jornalista de moda e blogueiro (esqueci alguma?). Qual foi o seu maior desafio e o momento mais marcante em cada uma dessas profissões em sua carreira?

Vc não quer uma entrevista, quer um livro! Varios momentos: ter visto Chanel trabalhando; ter sido assistente de Dener. Meu maior desafio foi também um grande orgulho: ser convidado por Joãozinho Trinta para colaborar com ele. Fui o primeiro estilista a desfilar moda na Marquês de Sapucaí quando ele estava na Viradouro.

Em um texto da jornalista italiana Silvana Fanti, transcrito em seu blog, ela afirma que você se apaixonou pela moda ao ver um desfile de Courrèges. Como foi essa paixão? Qual foi esse desfile?

Sim. Foi aquela coleção, das ” Moon Girls”  que me fez decidir pela profissão.

Coleção icônica dos anos 60, as “Moon Girls” (1964) do estilista francês André Courrèges tinham influência futurista e das viagens espaciais

Como foi estudar moda em Paris nos anos 70? Conte-nos um pouco dessa sua experiência.

A melhor época da minha vida. Naquele tempo, Paris era o centro de tudo o que se referia a moda. Conheci pessoas incríveis, escritores, artistas, gente inteligentíssima. Descobri um mundo totalmente desconhecido para mim.

Você costuma falar sobre Dener com grande respeito. Qual a importância dele para a sua carreira e para a história da moda brasileira?

Dener foi responsável por uma mudança radical no meu modo de ser, de pensar e  de viver. E, sem Dener, provavelmente, a  ” moda brasileira”  não seria o que é. Ele simplesmente a inventou.

Qual a principal lição que você passa aos seus alunos?

Mas eu não sou professor! Nunca fui, o que faço é tentar repassar tudo o que sei e conheço para os jovens, para o futuro. Meu maior orgulho é dizer: ” o ensino de moda no Brasil se divide antes e depois de José Gayegos”  Fui o idealizador e coordenador que implantou a vinda da Esmod para o Senac-SP .

Você é conhecido por seus comentários ácidos. Com tanta acidez, como você lida com as “indigestões” alheias?

Procuro ser bem humorado. Pessoas confundem, talvez por conveniência,  ironia com acidez. As vezes exagero, reconheço. É meu estilo provocador. Não me julgo igual, evidentemente, mas os grandes pensadores universais sempre foram polêmicos. Voltaire, Roger Peyrefitte, Gore Vidal, Truman Capote, Nelson Rodrigues são alguns dos meus ídolos.

Twitter de Gayegos do dia 21 de julho

Fotos: reprodução

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Uma resposta to “José Gayegos, a mosca na sopa das modas”

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  1. 3 anos de Fashion Again! « Fashion Again - 11/09/2012

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